Empreendedorismo feminino

Sebrae disponibiliza maratona de eventos para mulheres empreendedoras

Programação pode ser conferida no site do Programa Sebrae Delas; Capacitações acontecem de forma online até dezembro e são gratuitas

Empreendedoras podem participar de capacitações do Sebrae DelasO Dia do Empreendedorismo Feminino é celebrado neste 19 de novembro, mas o Sebrae preparou uma programação que se prolonga até o início dezembro. As empreendedoras já podem acessar no site do programa Sebrae Delas diversas capacitações online e gratuitas.

Entre os temas abordados estão os desafios no fortalecimento do empreendedorismo feminino na Bahia, oficinas de visual merchandising, conteúdos voltados a vendas, marketing e comunicação, além da apresentação de cases de sucesso. Todos os encontros serão realizados pela plataforma Zoom.

O Dia do Empreendedorismo Feminino foi instituído pela ONU e é celebrado em meio à Semana Global de Empreendedorismo. O objetivo é incentivar e valorizar os negócios comandados por mulheres.

A Semana Global de Empreendedorismo traz ainda uma programação exclusiva realizada pelo Sebrae para marcar a data. Será um dia inteiro com palestras e rodadas de conversas virtuais para discutir temas contemporâneos que envolvem as mulheres no mundo dos negócios, como: liderança, equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, inovação, maternidade, participação em redes, crenças limitantes, transformação digital, entre outros.

O primeiro painel “Dicas de ouro para mulheres líderes” trata das habilidades que as mulheres precisam para exercer um papel de liderança, com dicas para superar os desafios. Será um bate papo virtual com a participação da presidente da Microsoft Brasil, Tânia Cosentino; da diretora executiva da Maurício de Sousa Produções, Mônica Sousa e da empresária, apresentadora da GNT e influenciadora, Bielo Pereira.

Com foco nos desafios que as mães empreendedoras enfrentam, o segundo painel chamado “Nem romantizar nem desistir – Mães empreendedoras”, tem a presença virtual da presidente e fundadora da Rede Mulher Empreendedora, Ana Fontes e da fundadora do startup Negras Plurais, Caroline Moreira. As convidadas tratam dos aspectos culturais que influenciam na vida da mulher empreendedora e possíveis caminhos para superá-los envolvendo toda a sociedade. Por motivos culturais, algumas questões recaem desproporcionalmente sobre a mulher como excesso de tarefas domésticas, cuidados com pessoas e culpa materna. São questões que influenciam o resultado das empreendedoras e precisam ser discutidas.

Os dois painéis têm mediação da analista de Empreendedorismo Feminino do Sebrae, Renata Malheiros.

Sebrae Delas

Os desafios da mulher empreendedora não são poucos. Para além do próprio desafio de empreender, elas precisam lidar com questões que ultrapassam o ambiente de negócios, a começar pela histórica desigualdade de gênero.

Nesse sentido, o programa Sebrae Delas surgiu com foco no atendimento a empreendedoras, reunindo diversas ações, como capacitações e consultorias, e trabalhando competências, comportamentos e habilidades para fortalecer negócios liderados por mulheres.

A gestora estadual do programa Sebrae Delas, Carla Martins, destaca que o Dia do Empreendedorismo Feminino é celebrado em 153 países e chama a atenção para o papel da mulher empreendedora. “Resolvemos criar uma maratona de capacitação, em uma ação conjunta com a Câmara da Mulher Empresária. São mais de duas semanas de conteúdo voltado para o público feminino. Acreditamos no empreendedorismo feminino e nosso desejo é que, cada vez mais, as mulheres se capacitem e se empoderem. Que essa seja a primeira de muitas maratonas”.

Elas reagem à crise

Na crise gerada pela pandemia, segundo pesquisas do Sebrae, 52% das mulheres tiveram os negócios impactados, fechando temporariamente ou de vez, enquanto entre os homens o percentual foi de 47%.

Por outro lado, foram as mulheres que reagiram mais rápido para buscar reverter a situação. Segundo levantamento do Sebrae, 34% delas buscaram soluções digitais, 3% a mais que os homens. A migração para as vendas online foi ainda maior: 32% de mulheres frente a 25% dos homens.

Desafios

Natural de Conceição do Coité, mas moradora de Salvador, a empresária Juliana Lima, 39, mostra que empreender está em sua essência. Ela diz que, antes de iniciar sua própria atividade e abrir seu próprio negócio, a Amuu, estava em busca de uma real motivação para seguir nessa direção. Desde 2019, Juliana comercializa cosméticos a aromatizadores artesanais personalizados.

“Tinha algumas ideias em processo de amadurecimento, contudo nada em especial. Até o dia que um amigo por saber das minhas ‘artes’, perguntou se eu não teria algo que pudesse servir como um kit para as mães. Estávamos em abril e teria pouco tempo para montar e criar esse kit. Mas foi exatamente isso que me moveu: o desafio”, relata Juliana.

Foi assim que começou a história da Amuu, que hoje possui em seu catálogo álcool em gel, água para lençóis, aromatizadores, bloqueador de odores, gel hidratante, home spray, hidratante corporal, perfumes corporais, perfume para cabelo, sabonetes, sachês perfumados, entre produtos, todos elaborados artesanalmente e aprovados pela Anvisa. Os produtos já foram comercializados, inclusive para a Europa.

Juliana é atendida pelo programa Sebrae Delas e afirma que o programa reforçou a importância da união e do trabalho em rede. “Compreendi nesse projeto que o empreendedorismo não precisa e não deve ser uma trajetória solitária. Empreender em rede torna o caminho mais leve o que viabiliza a possibilidade de seguir em frente e vencer meus medos”.

A empresária analisa os desafios de empreender observando os obstáculos a serem superados. “Empreender não é tarefa fácil e alavancar o empreendedorismo feminino negro é ainda mais difícil.  Mas eu acredito. Nós podemos chegar a qualquer lugar. Cada degrau que subo tenho convicção que meu povo sobe comigo.  A representatividade importa”, reforça.

Planos

Viajar sempre foi uma paixão da empresária Anna Lívia Ribeiro, 51, tanto que ela resolveu investir em um negócio próprio nessa área.  A perda repentina do marido em 2017 fez com que ela buscasse dar entrada na aposentadoria da rede pública de ensino de Ilhéus no ano seguinte. Ela tinha planos para viajar para Portugal, mas precisou mudar por outro triste fato: a perda do pai.

“Não poderia deixar minha mãe sozinha. Mudei os planos, mas preparei uma lista de coisas que gostaria de fazer e pensei na possibilidade de abrir um negócio, algo que eu pudesse fazer meus próprios horários e também me conectar com pessoas”. Ela sabia que havia uma diferença entre ser viajante e empreender na área e, por isso, procurou apoio do Sebrae.

“Fiz o Empretec e diversas capacitações nas áreas de gestão e finanças para ter certeza que era aquilo mesmo que queria fazer. Logo depois do Empretec, fiz um teste e organizei uma viagem com 15 pessoas. No dia 6 de agosto de 2019, abri a Via Destino Viagens”, conta Anna Lívia.

No Carnaval deste ano, ela viajou com um grupo de 40 pessoas e percebeu que tinha feito a escolha certa, o que a motivou a fazer uma faculdade de Gestão em Turismo. Anna Lívia chegou a desenvolver um projeto de turismo educacional, aliando sua formação à sua nova empreitada. No entanto, por conta da pandemia, ela precisou deixar o projeto em stand by.

Isso não significa dizer que Anna Lívia ficou parada. Foi nesse período que ela conheceu o Sebrae Delas. “O programa me ajudou a fortalecer a capacidade de empreender depois de 28 anos trabalhando como funcionária pública, além de me conectar com mulheres fantásticas. O mais importante é que juntas somos uma rede de aprendizado e crescimento”.

A empresária destaca um desafio muito comum entre as mulheres empreendedoras, que é a conciliação do tempo entre os negócios, a família e o ensino. “Num país em que o patriarcado é muito forte o simples fato de ser mulher já seja suficiente para não confiarem na nossa capacidade. Uma das maiores dificuldades é essa jornada múltipla. São tarefas que assumo e que devo realizar sem que perder a qualidade em nenhuma delas”, reforça.

Liberdade

A empresária Carol Cyne, 36, tem uma experiência de 17 anos na área financeiro. Como ela mesmo conta: “Já fui atendente, supervisora, gerente...”. Hoje, ela comanda a Nova Trade, que presta serviços de correspondente bancário.

O negócio foi iniciado entre o fim de 2018 e início de 2019, mas a experiência de empreender já vinha antes. Carol chegou a abrir uma empresa em sociedade em 2011. Um dos diferenciais da Nova Trade, como ressalta a empresária, é manter o foco na atuação pela equidade de gênero.

Por isso, toda a equipe da empresa é formada por mulheres. “Prestamos serviços de correspondente bancário em uma empresa formada, exclusivamente por mulheres”, afirma Carol, que conta que esse movimento começou a ser desenvolvido após participação no programa Sebrae Delas.
O Sebrae já fazia parte da vida de Carol antes do novo negócio. Quando ela atuava como funcionária e, depois, quando abriu a primeira empresa, já buscava conteúdos do Sebrae na área de gestão e finanças para se especializar. Ela também fez o Empretec. “O Sebrae traz um grande suporte para o desenvolvimento do nosso negócio”, confirma.

Sendo uma empresária que atua no setor financeiro, Carol avalia que um dos grandes desafios das mulheres empreendedoras está justamente nessa área. “Existe uma questão cultural na sociedade que faz com que surjam crenças limitantes relacionadas a dinheiro para as mulheres”, diz.

“Temos propósito, gerimos com a alma, nossa liderança é humanizada, somos organizadas, mas ainda precisamos quebrar paradigmas com relação a finanças. E a busca da liberdade financeira é, justamente, um dos grandes objetivos das mulheres que buscam empreender. Para além disso, é a busca pela liberdade em escolher como empreender”, conclui.