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22.12.2009 | 09:00

Mercado de flores em Salvador consolida projeto de floricultura na Bahia

O Centro de Comercialização de Flores, no bairro de Narandiba, em Salvador, funciona sempre às terças-feiras, de 6h às 18h, é uma parceria do Sebrae Bahia com a Secretaria Estadual de Agricultura

Fátima Emediato

Arquivo Sebrae Bahia
Arquivo Sebrae Bahia

Flores tropicais, helicônias, palmas e outras variedades podem ser encontradas no mercado atacadista, em Narandiba, em Salvador.

No primeiro mês de funcionamento o Centro abrigou 170 produtores. É o caso de Cristina Lima, da Associação de Produtores de Flores Tropicais de Amélia Rodrigues. No primeiro dia de funcionamento ela levou para o Centro uma grande variedade de cores e formas de helicônias, conhecidas como bananeira de jardim, além de folhagens.

Cristina disse que o Sebrae foi o grande parceiro na formação da Associação e onde ela aprendeu a gestão, o plantio, a colheita, a comercialização, além de poder participar de missões técnicas em outras cidades, que ajudou a fazer a troca de experiência. “Temos ótima qualidade em flores tropicais, para oferecer aos compradores de Salvador”, garante Cristina.

Cirlene Pires Silva, vice-presidente da Associação de Flores e Vasos Ornamentais Renascer do município de Morro do Chapéu, na Chapara Diamantina, está muito otimista com a possibilidade do Centro de Flores em Narandiba aumentar as vendas das flores produzidas na Associação, que reúne 20 produtores. “Trouxemos para o Centro de Narandiba as heliconias e estaticias, que são espécies de flores sempre vivas. Temos flores de boa comercialização e esperamos que o Centro ajude a acessar o mercado de Salvador. O Sebrae foi um parceiro importante na criação de nossa Associação e também para ajudar a conhecer melhor o mercado de flores na Bahia”, afirma Cirlene.

Ivson Machado, coordenador do projeto Flores da Bahia explica que a idéia é que o Centro de Narandiba, que possui uma área coberta de 1.400 m2, com cerca de 12 m2 para cada produtor, tenha futuramente uma câmara fria para aumentar a vida útil das flores que chegam do interior do Estado. Ivson destacou a parceria com o gestor do Sebrae, Emanuel Castro para mobilizar os produtores de flores do Estado e os cerca de 130 donos de floriculturas de Salvador.

O Centro oferece todas as variedades de flores tropicais, como as helicônias e alpinias, as flores subtropicais como as gérberas, rosas e crisântemos, além de orquídeas e folhagens. “Inicialmente vamos funcionar toda terça-feira, de 6h às 18h, e conforme a demanda e o interesse dos produtores podemos estender para outros dias.

Uma vantagem para o comprador de Salvador, como floriculturas, empresas de Buffet, decoração e festas, é que os produtores de flores do interior podem colher as flores de noite e pela manhã estão no Centro de Comercialização em Narandiba e as flores de São Paulo demoram até cinco dias para chegar em Salvador”, destaca Ivson.

O Sebrae apóia o Projeto Comunitário Flores da Bahia, que foi idealizado pelo Governo do Estado através da Seagri com apoio também da Secretária Estadual de Desenvolvimento Social e prefeituras contempladas nos municípios de Maracás, Cruz das Almas, Vitória da Conquista, Bonito e Mucugê, além dos projetos denominados empresariais nos municípios de Morro do Chapéu, Ilhéus, Amélia Rodrigues, Ubaíra e em Jenipapo distrito do município de Saúde.

No projeto o Sebrae e a Seagri oferecem aos produtores de flores capacitações, assistência técnica, missões técnicas e de comercialização. Claudio Machado, supervisor de projetos da Carteira de Agronegócio I do Sebrae Bahia, foi um dos responsáveis pelo início da implantação do projeto de floricultura no estado, em 1999, e comemora os resultados ao lado dos produtores que hoje oferecem flores de qualidade e em condições até mesmo de exportar.

De acordo com Cláudio Machado o projeto de floricultura do Sebrae teve início em 1999 com apenas 187 produtores na Bahia e hoje são cerca de 460 produtores. “Neste período o Sebrae vem cumprindo sua missão que é de contribuir para o desenvolvimento regional sustentável, através da organização e fortalecimento de micro e pequenos agronegócios da Floricultura na Bahia, gerando emprego, renda, e conseqüentemente reduzindo as desigualdades regionais”, destaca.

Um exemplo do crescimento da floricultura na Bahia está na Cooperativa dos Floricultores de Bonito, na região da Chapada Diamantina. De acordo com o técnico em agropécuaria, responsável pelo projeto Flores da Bahia em Bonito, Clécio Lázaro de Souza Batista, a Cooperativa que reúne 23 produtores, vem aumentando a produção de rosa, crisântemo, gérbera, gypso Philla, áster, tango, statíce e folhagens. “Por exemplo, no início do projeto eram produzidos por mês 400 pacotes de rosas com 20 unidades e hoje a produção triplicou para 1.200 pacotes. A produção de crisântemo passou dos 400 pacotes mensais para 800 pacotes com 20 hastes. O Sebrae ajudou os produtores a melhorarem a gestão da Cooperativa e também a participar de treinamentos no Ceará sobre arranjo floral”, informa Clécio Lázaro.

Além do Sebrae são parceiros do projeto de floricultura em Bonito a prefeitura e a Seagri-Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia com o apoio na participação de feiras. Feiras, e divulgação. Hoje as flores produzidas pela Cooperativa de Bonito são vendidas na região, em Salvador, Irecê e Jacobina. Clécio Lázaro conta que a idéia é de que os produtores cheguem em breve a comercializar as flores em outros estados,

Outro grande exemplo de crescimento da floricultura no Estado está no projeto de flores de Maracás que começou em 2000 com a Associação Comunitária do Bairro São Mateus, onde 25 famílias plantavam a gladíolo, conhecida como palma de Santa Rita, com uma produção mensal de 80 dúzias cada família.

De acordo com Cristiane Soares, técnica agrícola da prefeitura de Maracás, que acompanha o projeto, o mercado absorveu toda a produção e a demanda por gladíolo e outras espécies de flores cresceu, quando surgiu a necessidade de criação da Associação dos Pequenos Floricultores de Maracás e outras associações foram surgindo, dando emprego e rendas as famílias carentes. Hoje são 7 associações e alguns produtores independentes, totalizando 219 famílias trabalhando com flores em Maracás.

“O aumento da produção de flores está diretamente vinculado ao trabalho de organização da cadeia produtiva da floricultura, que começou em 2000, com foco na profissionalização dos produtores – a maioria mulheres. Esse trabalho, iniciado pela prefeitura teve a parceria de diversas instituições como EBDA, Sebrae e Seagri.
Uma evidência do desenvolvimento da floricultura em Maracás é verificada com o aumento de produtores e das vendas de flores. Em 2000 era comercializado R$ 22 mil e em 2008 foram de R$ 1,2 milhões. Todo esse avanço se deu com o aumento de produtores, produção, qualidade dos produtos e diversificação”, explica Cristiane Soares.

A cidade de Maracá por ter uma temperatura média de 18 a 21 graus e altitude de 985 metros acima do nível do mar, ajudou para que a floricultura fosse uma alternativa viável para a geração de renda do município. “Procuramos tecnologia onde mais se entende de flores que é na cidade de Holambra, onde conseguimos trazer para Maracás o técnico Deic Sshuemmaker, profundo conhecedor no ramo de flores. Com determinação conseguimos recursos técnicos e financeiros para realizar o projeto. Agora nossa expectativa é melhorar a comercialização com a implantação do Centro de Narandiba”, afirma Cristiane.

Este ano a produção do Estado já responde por cerca de 15% do consumo, bem superior aos 4 a 5% de anos atrás. Para ocupar ainda mais o mercado interno, que já movimenta recursos da ordem de R$ 26 milhões por ano, Cláudio Machado comemorou a redução das importações, que já foram de 95%, e adiantou que o plantio de flores no Estado cresce como mais uma alternativa econômica para os produtores rurais.

“Para desenvolver cooperativas e associações de produtores o Sebrae oferece capacitações e profissionalizações nos diversos segmentos da cadeia produtiva como a padronização de produtos e implantação de sistemas de certificação e indicação geográfica, conhecimento de mercado e planejamento da produção, além da organização em núcleos setoriais, associações, cooperativas, condomínio e consórcios”, destaca Cláudio Machado.
Também são parceiros no projeto de floricultura do Sebrae a Embrapa, o Ministério da Agricultura, a Uesb-Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, governos municipais, o Ibraflor-Instituto Brasileiro de Floricultura, Senar-Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, IAC-Instituto Agronômico e Apex-Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.

Entre as vantagens para a produção de flores na Bahia estão as ótimas condições edafoclimáticas, ou seja, a combinação de bons clima e solo, a boa rentabilidade, uma mão-de-obra disponível, a cultura diversificada em espécies e a boa rentabilidade. Os principais mercados consumidores da Bahia são Salvador, Feira de Santana, Porto Seguro, Itabuna e Vitória da Conquista e no Brasil além da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina e Paraná.
De acordo com o Ibraflora a produção de flores emprega no Brasil 120 mil pessoas. O cultivo de flores é capaz de aumentar a geração de divisas e promover a inclusão de trabalhadores na cadeia produtiva e segundo estudos do IBGE a atividade emprega em média, duas vezes mais trabalhadores do que a agropecuária nacional. Em 2007 as exportações de flores e plantas ornamentais brasileiras conquistaram novos recordes de venda e atingiram a marca de US$ 35,28 milhões.
Na Bahia a produção de flores nos projetos apoiados pelo Sebrae estão em 179 hectares divididos em flores subtropicais como Rosas, Crisântemos, Gérberas, Copo de Leite, Gladíolus nos municípios de Maracás, Vitória da Conquista, Mucugê, Morro do Chapéu, Bonito e Jenipapo e as flores tropicais como as (Helicônias, Alpinias, Costus, Musa Coccinea, Etlingera (bastão), Tapeinochilos e Ananás nos municípios de Ilhéus, Cruz das Almas e Amélia Rodrigues.

Atualmente são atendidos pelo Sebrae a Associação dos Produtores de Flores da Bacia do Jequiriça, Associação dos Produtores de Flores de Maracás, a Florassulba-Associação dos Produtores de Flores e Plantas Ornamentais Tropicais do Sul da Bahia, a Tropflor-Associação dos Produtores de Flores Tropicais de Amélia Rodrigues, a Bahia Flora-Associação Baiana de Produtores de Flores e Plantas Ornamentais, Associação Floradas do Vale, Associação dos Floricultores da Chapada Diamantina, e Floralcoop-Cooperativa Produtores de Flores de Vitória da Conquista.

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